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Alta ansiedade e suas conseqüências

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O medo é o precursor de tudo. Sentimos medo, quando algum perigo se anuncia. Em seguida, nos preparamos para nos defender da situação de risco ou de perigo eminente. Quando vivíamos nas cavernas, o sentíamos o tempo todo. Era um medo real, que nos preparava para duas respostas básicas: ataque e fuga.

Hoje em dia, temos medos que continuam sendo reais, mas existem outros, que vão além dessa definição, que são fabricados por nós, no nosso dia-a-dia, mesmos quando estamos protegidos dentro de casa e/ou cercados de segurança.

Definimos medo como uma emoção caracterizada por sentimentos de antecipação do perigo, tensão e sofrimento e por tendências a atitudes de ataque ou fuga e que provoca reações fisiológicas no corpo.

O medo foi fundamental para nossa sobrevivência, o herdamos geneticamente, através centenas de gerações, mas o seu excesso é de outra natureza. Esse medo constante, que nos acompanha sempre, pode não ser real, pode ser imaginário.

A ansiedade pode ser definida da mesma forma que o medo, apenas com a ressalva, que a atitude preferida do indivíduo ansioso é de esquiva ou fuga. O objeto do medo é facilmente identificado no medo real. O ligado à ansiedade, muitas vezes não. É um medo imaginário. A intensidade do medo real é proporcional ao perigo circundante. Na ansiedade muitas vezes é maior do que o perigo real ou objetivo.

As mudanças fisiológicas do medo e da ansiedade são iguais: o coração dispara, o estômago se contrai, a digestão pára, a salivação diminui, a boca seca, a pulsação fica rápida, os músculos se retesam, a transpiração fica excessiva, as mãos tremem, os pelos eriçam, hormônios são lançados na corrente sangüínea etc… , podendo levar ao estresse e a exaustão.

A ansiedade é uma sensação desagradável, mas que costuma nos levar a um comportamento dirigido à solução de problemas. Entretanto, pessoas ansiosas demais têm crises que vão desde tremores nas mãos, tonteiras, diarréias e dor no peito, quando expostas a situações sentidas por elas como perigosas.

Do ponto de vista psicológico, essas pessoas se antecipam ao perigo, criando expectativas desnecessárias e, muitas vezes, catastróficas, em relação a acontecimentos futuros. Portanto, sofrem por antecipação e são, geralmente, negativas ou pessimistas. Suas preocupações são intensas, duradouras, freqüentes e fóbicas. Deixam muitas vezes de realizarem coisas, por medo de serem expostas a agentes considerados geradores, como participar de competições, falar público, buscar emprego ou namorar.

O indivíduo ansioso pode se prejudicar no trabalho, nos estudos e na vida afetiva e social. A sua produtividade ou rendimento pode cair, sua concentração pode diminuir e pode vir a ter dificuldades de executar tarefas. Seu comportamento pode prejudicar não só a si mesmo, como seus colegas de trabalho ou estudo, devido a sua falta de atenção e concentração e seus constantes questionamentos e apreensões.

São quatro os transtornos associados a ansiedade: de ansiedade generalizada (TAG) e o obsessivo-compulsivo (TOC), a síndrome do pânico e as fobias. Ela está presente na fobia social, que se caracteriza por uma timidez patológica.

A ansiedade generalizada é um transtorno que leva a pessoa a viver em constante estado tensão e desconforto. São hipersensíveis em seus relacionamentos, se sentem deprimidos. Não importa se coisas andam bem, se mantêm sempre deprimidos e ansiosos. Suas preocupações são constantes. Não conseguem relaxar, ficam remoendo os problemas ou sofrendo por antecipação.

O que causa a ansiedade são diversos fatores como: genéticos, ambientais e personalidade. Os sintomas mais comuns são: inquietação, nervosismo, irritação, fadiga crônica, tensão, sobressaltos ou sustos exagerados, pulsação acelerada, suor, frieza nas mãos, respiração ofegante, náusea e diarréia etc… Entretanto, eles podem variar de pessoa para pessoa.

O tratamento pode incluir: uso de medicamentos, psicoterapia, técnicas de relaxamento, yoga, exercícios físicos regulares e lazer. Apenas com a ressalta que o uso de medicação pode atenuar ou inibir os sintomas, mas não resolve os problemas que fizeram deflagrar o estado ansioso ou o transtorno de ansiedade generalizada, além disso pode levar a uma dependência.

Não sabemos exatamente o número de ansiosos no Brasil. Presumi-se que sejam milhões. Estima-se que 15 milhões de brasileiro adultos estão padecendo de sintomas relacionados à ansiedade. As crises incluem também tonturas, dor no peito e até uma paralisação completa diante de qualquer situação ameaçadora. Criam expectativas desnecessárias sobre acontecimentos futuros, querem resolver antecipadamente todas as questões e costumam ser negativos e pessimistas. Suas preocupações são intensas, duradouras e freqüentes. Sua desconfiança e crítica também. Qualquer competição aumenta sua ânsia, deixando-os mais vulneráveis e com medo do fracasso.

A manifestação de quadros de ansiedade generalizada com alguma freqüência deve ser observada. Se persistir, deve-se procurar logo uma ajuda para que a vida social, familiar, profissional e afetiva não seja prejudicada e para que a TAG não se estabeleça.

Ana Marcia Mello Pereira.


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