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Alta ansiedade e suas conseqüências A mãe

Síndrome de Estocolmo

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No dia 23 de agosto de 1973, Erik “Janne” Olsson, presidiário que tinha autorização para sair da prisão, entrou no Kreditbanken em Norrmalmstorg, no Centro de Estocolmo, na Suécia com o intuito de assaltá-lo.

Tomou três mulheres e um homem como reféns e em seguida, solicitou a presença de seu amigo Clark Olofsson, depois de atirar em um policial e ferir outro.

O drama continuou com alvoroço e lances dignos de cinema. No dia 26 de agosto, a polícia fez um buraco na caixa forte do banco, onde assaltantes e reféns estavam alojados, pelo apartamento de cima e através dele, fez uma foto, que foi amplamente divulgada pela imprensa. Finalmente, no dia 28 de agosto, um gás foi usado para deter os bandidos, que depois de meia hora, se renderam, sem que ninguém ficasse ferido.

Depois de seis dias de convivência, cheios de pressões e negociações com o governo e a polícia, desenvolveu-se entre os reféns e os assaltantes uma relação de dependência afetiva, que surpreendeu a todos, que participaram dos eventos.

Os reféns, embora constantemente ameaçados de morte pelos bandidos, afirmaram que tinham mais medo da polícia do que deles, que os mantinham sobre o seu poder e pelos quais desenvolveram uma clara simpatia.

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Após o assalto Clark Olofsson alegou inocência, dizendo que foi levado ao local pela polícia, ajudando-a a manter Olsson calmo. Foi liberado e acabou se tornando amigo pessoal de uma das vítimas.

Já o assaltante foi condenado a 10 anos de prisão. Logo passou a receber inúmeras cartas de mulheres apaixonadas e acabou se casando com uma delas (amor bandido).

Mais tarde, o psiquiatra e criminologista Nils Bejerot cunhou o termo, Síndrome de Estocolmo, para designar casos de diferentes formas de violência e abuso, em que os indivíduos subjugados acabam nutrindo por seus agressores uma dependência, uma afeição ou até mesmo amor.

Vítimas de seqüestros, abuso e violência sexual, que ficam em poder de seus algozes, isoladas ou em cárcere privado, são potencialmente vulneráveis a esta síndrome, além do transtorno pós-traumático. Podem se transformar também em futuros agressores, repetindo assim, muitas vezes, o ritual de violência a que foram submetidos. Os danos aí, podem ser então, irreversíveis.

Filmes famosos retratam casos com esses, reais ou imaginários. Situações tais, em que assassinos, torturam verbal ou fisicamente pessoas, aterrorizando-as e levando-as a pensar que aqueles atos são de responsabilidade delas. Elas que são más ou desobedientes e que merecem serem punidas ou mal tratadas ou ainda, que ninguém vai entendê-las como seu agressor as entende. A culpa será sempre dirigida ao outro, ao mundo, ao sistema, à polícia, à própria vítima ou aos seus familiares que não colaboram com ele.

Muitas mulheres são abusadas dessa forma por seus maridos ou companheiros. Muitas têm muita dificuldade de acusá-los e colocá-los atrás das grades em parte pela relação doentia que desenvolvem com seus torturadores. Uma rotina de violência e abuso que pode se estender aos filhos e que se não for detida, pode levar a um desfecho desastroso de sofrimento e morte.

Crianças e adolescentes abusados podem também desenvolver relações afetivas com seus agressores, sem se dar conta que aquilo por que passaram é crime previsto em lei.

Outras sofrem violência pelas mãos de pais, padrastos, irmãos ou outros familiares com quem têm uma convivência e relação afetiva mais estreita e que em última estância, deveriam protegê-las e não atacá-las. Por isso, muitos desses crimes contra a infância e a adolescência ficam impunes durante anos. Podem vir a aparecer nas salas de atendimento dos psicólogos e psiquiatras anos depois ou em manchetes de jornais transformando agredidos em agressores com práticas similares.

Embora, esses casos sejam considerados extremos, muitas pessoas são levadas acreditar que muitas das agressões que sofrem por outras com que têm uma ligação afetiva são devido a sua incapacidade de satisfazer os desejos do outro. O indivíduo agressor ou sádico pode ter sido outrora abusado e deseja infligir a sua vítima dor igual ou similar a sua sofrida no passado. Numa repetição contínua, de uma tortura sem fim, que aumenta de intensidade com o passar do tempo.

Por trás de um sujeito sádico, existe sempre um masoquista. O masoquista de ontem, pode ser o sádico de amanhã. Ou pode ser aquele que se deixa subjugar devido a sua falta de visão, perspectiva, ignorância, baixa auto-estima etc…

Exemplos como esses são importantes para mostrar que não devemos nos submeter ao desejo perverso do outro, nem atacar ou perseguir os outros, com palavras agressivas ou comportamentos violentos. Quando isso acontece devemos refletir e buscar ajuda antes que um mal maior aconteça. E o que você acha disso?

Ana Marcia Mello Pereira.


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