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Síndrome de Estocolmo Vivemos com medo

A mãe

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Ela é o primeiro amor de nossas vidas. Ela nos carrega no ventre por meses e, geralmente, é com ela que estabelecemos os primeiros vínculos afetivos. Geralmente é assim que a coisa funciona.

Segundo a teoria freudiana, ela é o primeiro amor e o primeiro grande ressentimento. Ressentimo-nos pelo fato de não sermos os únicos em sua vida. Por não podermos amá-la plenamente. Por termos que dividi-la com pai e/ou irmão(s). Por ela não poder ficar conosco tempo todo. Por termos que viver momentos longe dela. E quando ela se afasta, que tormento! Será que não volta mais? A criança pequena, o bebê, vive uma sensação de abandono, pois ainda não entende que ela vai voltar. Talvez tudo isso explique, em parte, a nossa relação dúbia, de amor e ódio, em relação a ela.

Logo após o nascimento, só existe uma figura para nós – a mãe. Relacionamos-nos com ela através do primeiro objeto que tomamos contato – o seio materno. É ela que nos alimenta, que nos dá prazer e conforto. Tomamos conhecimento do mundo através desse objeto. Ele é um objeto parcial, parte do corpo da mãe. Só com o passar do tempo, ele se torna total – a nossa mãe.

Só mais tarde, por volta de um ano de idade, uma terceira pessoa entra na relação – a figura paterna. Podemos voltar o nosso amor para ele, mas só depois. Mais ou menos em torno dos três anos de idade. Até esse momento ela reina absoluta.

Para a psicanálise, os primeiros anos de vida são fundamentais para o nosso desenvolvimento psicossexual. A passagem por determinadas fases, como resolvemos certos tipos de complexos e as relações de objeto que estabelecemos, são importantíssimas para a formação de nossa personalidade e nossas futuras escolhas sexuais e afetivas.

Desses primeiros anos nos restam apenas fragmentos, pedaços de memórias de traumas ou vivências tidas como traumáticas. Essas experiências podem causar transtornos psicológicos futuramente. Hoje sabemos que nosso cérebro tem poucas lembranças desse tempo, porque as áreas responsáveis pela memória, ainda são infantes como nós. Ainda não estão suficientemente amadurecidas. Caso nos lembrássemos de tudo, provavelmente a primeira sensação ou imagem seria do seu útero protetor ou momento em que ela nos pegou nos braços pela primeira vez.

Ela foi e, muitas vezes, continua sendo o nosso primeiro modelo de feminino. Identificamos-nos primeiramente com ela. Ela é a nossa referência de mulher e de mãe. O carinho, o afeto e os cuidados que ela nos dispensou ao longo do nosso desenvolvimento, podem vir a determinar o nosso comportamento e nosso relacionamento com as outras pessoas.

Se uma mãe não foi suficientemente boa, teve dificuldades no que chamamos maternagem, ela pode vir acarretar problemas futuros nas crianças que estiveram sob seus cuidados.

Pesquisas mostram que crianças abandonadas e/ou institucionalizadas têm mais dificuldades afetivas. Elas podem desenvolver problemas físicos e psicológicos ou até morrer por falta de contato físico com uma mãe ou uma substituta, em especial, nos primeiros meses de vida.

Somos nós, os animais da Terra, que desfrutamos mais tempo de cuidados maternos. Nossa infância é a mais longa do reino animal. Quiçá ela dure uma vida inteira! É difícil para nós, nos destituirmos da posição de filhos de nossas mães. Difícil para nós, pior ainda para elas. Deixar seus filhos voarem, alçarem vôo, num mundo tão perigoso e hostil como o nosso. Elas têm medo que eles se frustrem ou sofram. Assim os super protegem. Supermães que querem resolver tudo para seus filhos e que compram qualquer briga por eles.

Embora reclamando sempre delas ou criticando sua criação, na maioria das vezes, agimos igualzinho a elas. Educamos da mesma forma nos próprios filhos. Repetimos as mesmas palavras, frases e gestos. Os mesmos conceitos e preconceitos. Enchemos a boca, que foi assim que nossa mãe nos criou. Aprendemos muita coisa com elas. E, às vezes, nos parecemos demais com elas ou nos identificamos demais com elas, coisa que, às vezes, nos incomoda bastante.

Infelizmente não existe manual de instruções para uma boa mãe. Talvez o primeiro filho sofra mais por sua inexperiência. Talvez menos, por ser o mais esperado, o desejado. Depende da mãe e das suas circunstâncias de vida. Na verdade sempre vamos ter problemas com elas, por seus excessos ou por suas faltas. Estamos marcados por elas indelevelmente.

Na maioria das vezes são elas quem nos dizem “não”. Muitas vezes são severas demais. Outras, benevolentes demais. São cheias de duplas mensagens. Ora perdoam, ora punem. Suas palavras de censura e de incentivos podem fazer grande diferença em nossas vidas. Palavras têm poder e força. Ainda mais de mãe.

Afinal tem mãe de tudo quanto é jeito, formato e feitio. Ah! O que seria da psicanálise e do divã do analista se não fosse a Mãe! (grifo meu).  :p>

Muitas outras formas de tratamentos alternativos podem funcionar, depende das crenças e valores do doente. A questão é o quanto eles podem se sustentar e se não vão trazer malefícios posteriores.

O melhor caminho apontado pelos profissionais da área é a combinação de medicação, psicoterapia, atividade física e mudanças de hábitos alimentares e de vida. O engajamento em um trabalho remunerado e produtivo ou ainda, voluntário e assistencial pode ajudar em muito, fazendo a pessoa se sentir útil e necessária.

De qualquer modo, algum tipo de tratamento é melhor do que nada. Desde que não fira os princípios básicos do indivíduo, a ética profissional e que não provoque males físicos. Este pode ser tentado. Muitos métodos e técnicas estão aí à disposição. Muitas pesquisas e novas tecnologias estão surgindo, buscando soluções para os problemas mentais. Apesar de tudo isso, muito poucas pessoas procuram ajuda ou demoram muito para fazê-la, tornando o processo mais lento ou ineficaz devido à cronificação do quadro ou o comprometimento com algum problema orgânico.

Além disso, os males mentais ainda são vistos como queixas infundadas ou menores. Seus portadores são geralmente vítimas de preconceito, por isso evitam se mostrarem e saírem em busca de auxílio. Entretanto, quando o fazem, têm urgência de melhorar. Mas as perguntas que ficam no ar são as seguintes: Há quanto tempo à pessoa está doente? Quanto tempo demorou a procurar ajuda? Quantos tratamentos foram abandonados pelo caminho? Pense bem nisso!

Ana Marcia Mello Pereira.


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